Inadequeção distinta de ser

Mas desse vagar silencioso, estranho e incrédulo,

o aperto fundo do dar-se conta se anuncia,

e dizimando a invasão sedutória aqui já feita,

lança-se na lancinante e única dor de ser...


Próximo, elevado, perfeitamente inadequado.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O tempo como derrotado


O tempo como derrotado

Ao contrário do que foi dito por velhas e frustradas gerações
que ainda não aprenderam a registrar a história
é possível vencer o tempo. 

Mas somente em intervalos não planejados
por esses frios e vulgares cotidianos da nossa falta de comunicação
ou pela ausência da exclusiva e calorosa felicidade
encontrada na possibilidade de estar só. 

Existem momentos em que é possível vencer o tempo
o poderoso soberano e respeitável tempo
devorador de filhos que nascem para confrontá-lo
e que morrem antes de dar os primeiros passos
ou desejar provar frutos nomeados de revolução. 

Somos medo e silêncio além dos cálculos
construídos em um mundo que não é capaz
de reconhecer outros mundos que não o seu próprio
supondo saber verdades sempre sujas de sangue. 

Mas ainda assim, é possível vencer o tempo
pois o tempo é derrotado nos encontros criadores
quando ocorrem as danças das saudades sinceras
e dos abraços de nossos atos de transformação
inscrevendo marcas dos instantes revividos. 

O tempo finalmente derrotado vai de encontro à própria morte
sem deixar de se questionar ao menos um segundo
o porquê não ter vivido o próprio amor... 


20/07/2014 (mas não há mais tempo a registrar, pra não dizer que não falei de amor).

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